terça-feira, 8 de maio de 2012

Como ser promovido sem esforço adicional?

Esse é o tipo de artigo que você começa a ler com um pé atrás. O título parece tirado de um livro de autoajuda da década de 70. A promessa não convence, pois todo mundo sabe que hoje em dia a vida profissional anda difícil mesmo com esforço. Mas, observe: não prometi que seria sem esforço. A palavra "adicional" redime o autor.

Durante um ciclo de apresentações dos objetivos estratégicos para toda a equipe, um corajoso garoto, recém contratado, perguntou-me o que deveria fazer para "chegar lá", para ter uma carreira de sucesso como a minha. Antes de responder perguntei, por curiosidade, porque ele considerava minha carreira "um sucesso". Ele ficou espantado com a pergunta e respondeu: "o senhor é o CEO da empresa!"
Fiz, então, um pequeno aparte sobre objetivos pessoais e profissionais e esclareci que, embora estivesse satisfeito com minha "carreira", não era pelo fato de ocupar o posto de CEO de uma grande empresa. Ocupar essa posição havia sido consequência, principalmente, de minha atitude profissional.
Se todas as pessoas da empresa definirem como sucesso profissional chegar à posição de CEO, estaremos diante de um grande problema. O "ciclo de vida" médio de um CEO na empresa costuma ser de 5 a 7 anos, o que significa que poucos terão a chance real de ocupar essa posição, independentemente de seu esforço.
alt Imagem: Thinkstock
Mas, como ele – aparentemente – gostaria de chegar a essa posição, me ofereci para compartilhar a minha experiência e contar o que eu considerava que havia sido o principal fator gerador de oportunidades.
Eu havia pensado sobre isso um par de anos antes, enquanto fazia uma avaliação de minha trajetória pessoal e profissional. Na ocasião, dei-me conta de que nunca havia planejado "subir" na hierarquia das empresas onde trabalhei.
Pensei, também, nas pessoas que tive a oportunidade de escolher para uma promoção quando passei a ocupar posições gerenciais. Concluí que, embora competência profissional, comprometimento e "esforço" sejam características importantes, não foram elas as principais motivações para as promoções que recebi, executei ou aprovei.
Quando um chefe está diante do dilema de oferecer uma posição de maior responsabilidade para um profissional, deve levar em conta uma série de aspectos relevantes. Na abordagem mais técnica, irá considerar as competências requeridas para a posição e avaliar os candidatos de acordo com essas exigências. Tempo de casa, trajetória profissional, dedicação e comprometimento, relacionamento pessoal e liderança, alinhamento com a cultura e os valores da organização, além de outros fatores importantes para motivação da equipe, costumam ser levados em consideração.
Mas o dia a dia de uma organização pode ser simplificadamente resumido em problemas e oportunidades. E é esse pensamento que, mesmo inconscientemente, vai influir na decisão do chefe. A vaga em aberto é uma oportunidade e uma decisão equivocada pode ser um problema.
Bons profissionais costumam ter uma visão crítica apurada. São os primeiros a apontar problemas que podem comprometer o desempenho da empresa. Mas chefes são seres humanos comuns e, de um modo geral, não gostam de problemas. Preferem soluções.
O profissional que aponta problemas para o chefe, defendendo os interesses da empresa, nem sempre é bem recebido. O chefe costuma ter problemas suficientes. Você dedica vários dias a um trabalho analítico para finalmente identificar a razão pela qual alguma coisa não vai bem na empresa e comunica isso ao seu chefe. Deixa a sala com o sentimento de que cumpriu sua missão. Seu colega entra dois minutos depois e encontra o chefe preocupado. Pergunta o que aconteceu. O chefe, mau humorado, compartilha o problema que você, brilhantemente, acaba de descobrir. Seu colega escuta com atenção e propõe uma solução, ou se oferece para cuidar do problema. Qual dos dois terá mais chance de ser promovido? O que trás o problema para o chefe ou o que se oferece para resolvê-lo?
A conclusão a que cheguei, observando os momentos de decisão, é que profissionalmente temos a oportunidade de fazer parte do problema ou da solução, e que os chefes tendem a escolher os profissionais que dedicam mais tempo a solucionar problemas do que a encontrá-los.
Não estou desconsiderando o mérito de quem encontra os problemas. Ao contrário, creio que essa é uma das contribuições mais importantes que um profissional pode dar para a organização. Problemas, quando devidamente equacionados, deixam de ser problemas e se transformam em oportunidades.
Mas é importante considerar que, para que o chefe possa aceitar a identificação do problema de forma construtiva com maior facilidade, ele precisa estar acompanhado de uma solução ou da disposição de solucioná-lo.
Eu gosto de resolver problemas. É uma característica pessoal (talvez por isso mesmo tenha decidido estudar engenharia). Avaliando a minha trajetória profissional, estou certo de que esse foi um fator decisivo para as "promoções" que recebi. Costumo concentrar minha energia em resolver os problemas ou motivar e ajudar as pessoas a resolvê-los, não em reclamar deles. E também tenho consciência de que pessoas com essa característica foram privilegiadas na maioria das promoções que decidi ou aprovei.
Então, fica aqui a sugestão estratégica: quer se candidatar a uma promoção, passe para o lado da solução.

Por Flavio Ferrari
www.administradores.com.br

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Após IPO, empresas querem adequar estrutura de governança, aponta pesquisa

Há oportunidades de melhorias na estrutura e práticas de governança em muitas das empresas brasileiras que realizaram IPOs (ofertas iniciais de ações em Bolsa de Valores) nos últimos anos. Esta é a avaliação de 71,2% dos participantes de pesquisa interativa realizada pela KPMG com participantes da 31ª Mesa de Debates do ACI (Audit Committee Institute), no dia 26 de março, em São Paulo. Dos respondentes, outros 12,3% consideraram que as referidas companhias possuíam, sim, estruturas de governança adequadas, enquanto 16,4% disseram não saber.
A pesquisa foi realizada com 75 participantes do evento, que é realizado trimestralmente e conta com participação de membros de conselhos de administração, de conselhos fiscais e de comitês de auditoria das mais importantes empresas no Brasil. Para 92% dos respondentes, as empresas abertas brasileiras que seguem as boas práticas de governança para sua perenidade possuem vantagens competitivas em relação às que não adotam tais práticas.
Em relação ao surgimento de novos riscos em razão da globalização de negócios e mercados, mais da metade (58,1%) dos participantes dizem acreditar que, para evitar crises, as administrações das empresas não têm assegurado considerar todos os possíveis cenários envolvidos neste panorama, incluindo a cadeia de suprimentos e a solidez financeira dos fornecedores, questões geopolíticas, eventuais catástrofes naturais e ameaças cibernéticas, contra 36,5% dos que acreditam o contrário.
"Outro problema identificado segundo a opinião dos pesquisados refere-se aos riscos vinculados às novas tecnologias", indica Sidney Ito, sócio da área de Consultoria em Riscos da KPMG no Brasil e na América do Sul, responsável pelo ACI no país. Perguntados se os participantes compreendem, nas empresas onde atuam, os desafios e riscos emergentes de TI relacionados à computação em nuvem (cloud computing), mídias sociais, tecnologias móveis, continuidade dos negócios e privacidade de dados, 61% responderam que não, pois focam basicamente nos riscos tecnológicos mais tradicionais, sem considerar esses novos; 21% disseram que não, pois os riscos de TI não são considerados; e 11% afirmaram que sim, pois os principais riscos relacionados ao assunto são de conhecimento e de monitoramento.
Nesse sentido, 49% disseram que os se comunicam frequentemente com os responsáveis da área de TI e discutem com a diretoria e o conselho de administração potenciais riscos e deficiências de controles tecnológicos, mas este hábito pode ser melhorado. Outros 34% responderam que não há esse hábito; enquanto 11% responderam que sim, há essa comunicação, sem restrições.
Em momento de autocrítica, 53% dos participantes disseram que monitoram a qualidade das divulgações financeiras antes de serem publicadas externamente, mas que este procedimento pode ser melhorado; enquanto que outros 35% responderam positivamente à questão, mas sem impor restrições. Nesse sentido, 51% consideraram que têm se empenhado, mas podem melhorar, em avaliar e criticar a qualidade e a suficiência das informações que são apresentadas ao mercado; enquanto 33% responderam que não, mas que a questão precisa ser considerada. 
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

6 dicas de estratégia

Destaco 6 dicas de estratégia coletadas do portal Saia do Lugar com comentários meus.Primeiramente as dicas originais:

São os clientes que estabelecem as prioridades, a estratégia. E não a concorrência.Sempre faça as coisas simples – Não confunda "Simples" com "Fácil". Simplicidade sempre.Implementação é tão importante quanto estratégia - se sua estratégia estiver apenas no papel, ela sempre será um pedaço de papel.
Pense LocalmenteEm tempos de mudança, nós (empresas) temos que mudar. – Não fique preso a planos, previsões e estimativas, baseadas no ano anterior. Pense no mundo como ele está ou como você gostaria que fosse.Confie nas pessoas. – Permita-lhes correr riscos, a inovar e experimentar. Dê a chance dele fazer parte da (sua) equipe.
Leia a origem do artigo aqui.
Agora com comentários:
1. São os clientes que estabelecem as prioridades, a estratégia. E não a concorrência.
Você tem dúvida disto? Aliás, você escuta o seu cliente? Além dos tradicionais canais de comunicação com o cliente, você conversa com ele sobre o seu trabalho? As suas expectativas? Ou espera que ele fale por si só?
Lembre-se, se ele reclamar, ótimo, ainda se importa com você. Agora, ele pode simplesmente te trocar...
Se a concorrência toda está indo para o lado direito, analise se você deve também ir. Agora, ir porque todos estão indo, pode ser uma bela caminhada até o precipício...
2. Sempre faça as coisas simples – Não confunda "Simples" com "Fácil". Simplicidade sempre.
Ser simples é uma das coisas mais difíceis do mundo. Normalmente complicamos o que é simples e o que já é difícil, fica impossível. Porque fazemos isto? Porque analisamos tudo como se tudo fosse diferente do que é.
Se você olha uma determinada situação, sempre pense: Devo abstrair os sentimentos desta situação e ver o que realmente aconteceu antes de tomar uma decisão. Sem sentimentos, a razão encontra uma saída, mesmo que exista perda, pois muitas vezes o que podemos fazer é minimizar o prejuízo e analisar os riscos. Gestão de riscos é isto.
Fazer isto pode não tornar tudo simples (afinal esta análise é individual e particular), mas irá ajudar e muito no resultado.
3. Implementação é tão importante quanto estratégia -
se sua estratégia estiver apenas no papel, ela sempre será um pedaço de papel.
Com certeza. Use o PDCA, ou seja, planeje, faça, verifique e aja! Quer conhecer mais sobre PDCA? Leia aqui.
4. Pense Localmente
Quer dizer, não precisa fechar um negócio com a China para ser bem sucedido. Você deve buscar negócios nos seus arredores, buscar parceiros locais e principalmente analisar – daí sim – globalmente. Se você pensar localmente e analisar globalmente, em termos de estratégia, novas tendências, etc, as chances de sucesso são excelentes.
5. Em tempos de mudança, nós (empresas) temos que mudar. –
Não fique preso a planos, previsões e estimativas, baseadas no ano anterior.
Pense no mundo como ele está ou como você gostaria que fosse.
Precisamos pensar num mundo ideal para nós, com certeza. O fato de basear-se em números anteriores, planos e estimativas são formas de análise, mas não parte do sonho da empresa. Devemos traçar nosso destino empresarial por nós mesmos e nos utilizarmos do passado como fonte de inspiração e crítica.
6. Confie nas pessoas. – Permita-lhes correr riscos, a inovar e experimentar.
Dê a chance dele fazer parte da (sua) equipe.
Pessoas são a base da empresa. Permitir a criatividade – desde que sempre dentro de metas, objetivos e com clareza de onde chegar – é estimulante e pode proporcionar resultados muito bons.
Enfim,
A estratégia é sempre única e pertence a cada empresa, contudo, diante destas dicas e mais a sua expertise e vontade, muito mais pode acontecer e ser feito.
Não fique no papel e no planejamento apenas. Vá atrás do seu sonho dia após dia. Somente assim ele irá virar realidade.

Gustavo Rocha
www.administradores.com.br

Estabelecimento tem que garantir integridade de veículo

A cada dia aumentam as queixas de consumidores contra os serviços prestados por estacionamentos. Quem opta por estacionar o carro em estabelecimentos particulares, quase sempre se depara com aquela famigerada placa: "Não nos responsabilizamos por objetos deixados no interior do veículo". Mas são cada vez mais frequentes os furtos de toca-cds, roubos de estepes e sumiço de objetos, como óculos e perfumes. Muitos shoppings, supermercados e lojas oferecem o estacionamento como forma de atrair compradores. Quando você entrega a chave do carro para o manobrista ou retira o tíquete do estacionamento, a guarda do seu veículo é transferida à empresa de estacionamento, que passa a ter responsabilidade pelo carro que está recebendo, assim como tudo o que estiver no seu interior.
A partir de então, tudo o que acontecer no local é de responsabilidade do estabelecimento, que deverá garantir a incolumidade do bem do consumidor, reparando eventuais prejuízos (amparo legal: artigo 6º, inciso VI, e artigo 14, parágrafo 1º, do CPDC). Dessa forma, quaisquer tipos de danos (riscos, colisões, furtos de pneu estepe) ou o “sumiço” de objetos (furto de óculos, CD's, perfumes, etc.) são de total responsabilidade do estacionamento, que deverá indenizar automaticamente o proprietário. O Superior Tribunal de Justiça - STJ já se manifestou sobre o tema e determinou: “A empresa responde, perante o cliente, pela reparação de dano ou furto de veículos ocorridos em seu estacionamento”.
Também, no Estado de São Paulo, desde o dia 15 de março de 2010, vigora uma lei que responsabiliza objetivamente os estacionamentos que não garantirem a integridade dos veículos, assim como dos objetos deixados dentro deles. Essa lei dispõe sobre normas de proteção e segurança nos estacionamentos públicos e privados, gratuitos ou pagos. Também, proíbe a fixação de placas que isentem o proprietário do estabelecimento de responsabilidade sobre objetos deixados no interior do veículo ou por danos causados no automóvel, mesmo porque essa placa nunca teve validade legal. Além disso, os estacionamentos e serviços de manobra terão que emitir comprovante com a hora de chegada do veículo, o preço da tarifa e o prazo de tolerância.
Se acontecer algum problema com o seu veículo, registre imediatamente um Boletim de Ocorrência na delegacia mais próxima - esse é o primeiro passo. Depois, providencie três orçamentos, como opções para o dono do estacionamento escolher a forma de ressarcimento. Caso ele fique enrolando e não quiser resolver o problema amigavelmente, procure um advogado e acione a Justiça Comum ou o Juizado Especial Cível - "Pequenas Causas" – para indenizações de até quarenta salários-mínimos. Ah, uma dica importante: o tíquete do estacionamento é a prova que você ingressou com o carro realmente naquele local – de maneira alguma devolva o comprovante, mesmo que peçam o papel. Ah, e lembre-se: aquela famigerada placa afixada nos estacionamentos é ilegal.
Sérgio Tannuri é advogado especialista em Direito do Consumidor e jornalista.
Revista Consultor Jurídico, 3 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Entendendo a criatividade

Falamos muito na economia criativa, no perfil das pessoas do século XXI, no poder da criatividade e do valor de ideias. Mas afinal, o que é criatividade? Sabemos que ela está quase sempre associada com inovação, mas como podemos gerar atos criativos ou viver uma vida criativa se não sabemos nem por onde começar?
Muitas pessoas  acreditam que a criatividade é um talento, uma característica que você tem desde pequeno. Mas como John Cleese explica, a criatividade não é um talento, é um modo de operação. É não se acomodar, ter ousadia para tentar novos caminhos e errar. Ver por outros ângulos, buscar o novo, experimentar novas sensações.
E como podemos aprender a ser criativos ou trabalhar a nossa criatividade? Fica aqui algumas dicas sobre o assunto.
  • Faça perguntas. Muitas e elaboradas. Isso vai forçar as pessoas a olharem o problema de outra perspectiva.
  • Provoque. Expresse uma opinião contrária ou algo controversial. Cuidado para não ofender as pessoas, apenas provoque uma reação positiva.
  • Elogie. Reinforce atitutes positivas. Pessoas podem não gostar de ser criticadas e um elogio pode abrir a porta para a criatividade.
  • Desafie as pessoas. Desperte o espírito competitivo das pessoas, soluções podem ser criadas nessas situações.
  • Inspire-se. Criatividade e inspiração andam juntos. Leve seus amigos para uma exposição cultural, ou indique um livro interessante para um colega de trabalho.
  • Aprecie creatividade. Empolgue-se com boas ideias, mesmo que elas sejam pequenas.
Gil Giardelii
www.vocesa.abril.com.br

O trabalho é meio de vida, não de morte

Primeiro de maio é a data, no Brasil e em vários países do mundo, reservada para comemorar o Dia do Trabalho.
Desde muitos milhares de anos, o homem altera o mundo por meio do trabalho. E é por seu intermédio que ele se insere socialmente, que aufere renda para sua subsistência, que concretiza ideias e ideais, que se realiza e nutre sonhos.
Numa conversa de apresentação entre duas pessoas, uma das primeiras perguntas que se escuta é “o que você faz?”. O homo faber, o homem que transforma a natureza com as forças de suas mãos e a agudeza de sua inteligência, não distingue entre ser e fazer. Tão importante é o trabalho, que nele vemos o que somos.
Daí a enorme importância da proteção ao trabalho. Não a qualquer trabalho, mas ao trabalho decente!
Quando trabalhamos, aplicamos parte de nós no resultado do labor. Não só metaforicamente, mas em termos reais, porque o esforço físico ou mental desprendido na consecução de uma tarefa imprime o trabalhador na obra.
Nesta quadra da história do Brasil, dispomos de leis preparadas para a tutela do trabalho, garantindo que as atividades sejam realizadas em ambiente seguro e em condições decentes. E para garantir o trabalho decente, há um ramo do Poder Judiciário que se dedica a decidir as causas relativas ao mundo do trabalho subordinado: a Justiça do Trabalho.
Dentre essas leis, despontam as que asseguram um meio ambiente de trabalho equilibrado e saudável. Porque o trabalho é meio de vida, não de morte.
O impressionante e crescente número de trabalhadores brasileiros que se acidentam, contudo, confirma um triste paradoxo: saem de suas casas para ganhar a vida, mas encontram a morte, ou a invalidez provisória ou permanente. Os acidentes atingiram mais de setecentos mil trabalhadores em 2010, dos quais mais de dois mil e setecentos morreram e outros milhares nunca mais retornarão ao serviço, porque ficaram inválidos. Em 2011, foram 2796 vítimas fatais de acidentes de trabalho em nosso País, segundo dados oficiais apenas dos segurados da Previdência Social, sem contar os milhões de trabalhadores informais, os casos em que as empresas não comunicam o infortúnio e os servidores públicos. Os números reais, portanto, devem ser muito superiores.
Significa que no Brasil os acidentes de trabalho provocam um atentado de 11 de setembro a cada ano, sem falar no exército de inválidos que formamos a cada ano!
O problema não é só de empregados e empregadores. Ou do Governo. Mas é de todos, porque sem garantia de um trabalho decente, não construiremos uma sociedade mais livre, mais justa e mais solidária.
Todos perdem com acidentes: o trabalhador, principalmente, porque sofre no corpo os resultados do infortúnio; o empregador, que enfrenta os gastos de substituir o acidentado, contratando e treinando outro funcionário; e o Governo, que paga os benefícios previdenciários decorrentes dos acidentes. Quando o Governo paga, a sociedade paga.
Na ocorrência de um acidente, a Justiça, se acionada, investiga e condena o culpado a indenizar a vítima ou sua família.
Esta função reparadora não se mostra, no entanto, suficiente. É preciso mais! É imperativo criar na sociedade brasileira a uma nova cultura de prevenção.
Os acidentes de trabalho, em geral, não ocorrem, são causados. Quase sempre há um culpado. Por isto podem, quase sempre, ser evitados por meio da prevenção.
Pelo trabalho seguro, a Justiça do Trabalho já está fazendo sua parte.
Para que tenhamos mais motivos para comemorar, a cada 1º de maio, é urgente que nos mobilizemos todos em cruzada cívica em favor da vida e da dignidade no trabalho contra os elevados índices de acidente de trabalho em nosso País!

João Oreste Dalazen
www.comjur.com.br